O escritório de advocacia do ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski recebeu R$ 5 milhões do Banco Master para prestação de serviços de consultoria jurídica. O contrato foi mantido mesmo depois que ele assumiu o cargo de ministro da Justiça, em fevereiro de 2024.
A informação foi divulgada pela colunista Andreza Matais, do portal “Metrópoles”. Segundo a reportagem, Lewandowski firmou um contrato com o banco de Daniel Vorcaro por indicação do senador Jaques Wagner (PT-BA).
De acordo com a coluna, o contrato entre o escritório do ex-ministro e o Master tinha o valor de R$ 250 mil mensais, e foi assinado em 28 de agosto de 2023. Os pagamentos prosseguiram até setembro de 2025, mais de um ano e seis meses após Lewandowski assumir a pasta, em fevereiro de 2024.
Em nota enviada ao g1, a assessoria de Lewandowski confirmou a prestação de serviços ao Banco Master depois que ele deixou o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2023. Mas, diz que o ministro parou de atuar nos casos relacionados ao escritório após assumir o cargo no governo Lula (PT).
“O ministro Ricardo Lewandowski, depois de deixar o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril de 2023, retornou às atividades de advocacia. Além de vários outros clientes, prestou serviços de consultoria jurídica ao Banco Master”, diz a nota.
“Ao ser convidado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério da Justiça de Segurança Pública, em janeiro de 2024, Lewandowski retirou-se de seu escritório de advocacia e suspendeu o seu registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deixando de atuar em todos os casos”, completa o comunicado.
Procurada pelo g1 a assessoria do senador Jaques Wagner afirmou que ele foi “consultado sobre um bom jurista e lembrou de Ricardo Lewandowski, que havia acabado de deixar o STF. Seguramente, o banco achou a sugestão adequada e o contratou”, diz a nota.
Quarentena
A Comissão de Ética Pública da Presidência da República autorizou na última segunda-feira, 26, o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski a atuar como advogado sem precisar cumprir a quarentena de seis meses exigida por lei após deixar o cargo.
A decisão do colegiado mantém, no entanto, a quarentena para a atuação em casos relacionados a secretarias e instituições vinculadas ao Ministério da Justiça, como é o caso da Polícia Federal (PF). Lewandowski fica impedido, portanto, de atuar em processos como o do Banco Master, que é alvo de investigação da PF.
“Em conformidade com a legislação vigente, a CEP autorizou a atuação de Lewandowski como advogado, ressalvadas as hipóteses elencadas no Art. 6º da Lei 12.813, de 2013″, disse o ex-ministro em nota.
Foto: Jamile Ferraris/MJSP
Fonte- Jornal O Sul



