No dia 2 de abril foi celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, que inaugura também o Abril Azul, quando se busca dar visibilidade ao Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) ao redor do mundo. É comum vermos monumentos iluminados pela cor azul, em referência à data, como já aconteceu com o Cristo Redentor e com a Torre Eiffel. Mas os especialistas ressaltam que é preciso levar essa atenção também para o cotidiano, especialmente para os pais de bebês nos primeiros anos de vida.
Com um diagnóstico precoce, é possível que os pais façam intervenções que vão melhorar a qualidade de vida da criança no futuro. É que destaca a psicóloga Camila Canguçu, supervisora do Programa de Atenção ao Transtorno do Espectro do Autismo (Pratea) da Faculdade de Medicina da Unicamp.
“Este diagnóstico é importante, porque o cérebro da criança, nos primeiros anos, tem uma plasticidade muito alta. Ou seja, é um período em que ela está muito mais sensível à aprendizagem. Então, quando a intervenção começa cedo, conseguimos promover ganhos muito significativos em comunicação, interação social, autonomia e qualidade de vida. Hoje já temos evidências robustas mostrando que a intervenção precoce está associada a melhores desfechos no desenvolvimento da criança”, explica a especialista.
Camila também ressalta que os sinais de que o bebê pode ser autista já são observados ainda no primeiro ano de vida, mas ficam mais evidentes entre os 12 e 18 meses. Ela elenca uma série de observações que podem ser vistas até os 3 anos de idade.
“Isoladamente elas podem parecer apenas características individuais. O que faz diferença é o conjunto, a frequência e o impacto no desenvolvimento”, alerta.
Veja 9 sinais que podem antecipar o diagnóstico de autismo:
– Pouca resposta ao nome;
– Dificuldade em manter contato visual;
– Menor interesse em interações sociais;
– Ausência ou atraso na comunicação;
– Não apontar com o dedo;
– Não compartilhar interesses;
– Não tentar se comunicar;
– Brincar de forma mais repetitiva (“Por exemplo, enfileirando objetos ou rodando a rodinha de um carrinho em vez de brincar com ele”);
– Falta de busca pelo outro (“Não é só uma criança mais tímida, é uma criança que, muitas vezes, não engaja socialmente da forma esperada para a idade”).
Se uma criança for diagnosticada, há uma série de comportamentos que podem evitar momentos de crise. É importante procurar um psiquiatra ou neurologista infantil para uma primeira avaliação, além de uma psicóloga especializada, que pode ajudar no acolhimento das famílias.
“Os tratamentos possíveis são intervenções na análise do comportamento aplicada com psicólogas especializadas, assim como fonoaudiólogas, terapeutas ocupacionais, nutricionistas e acompanhamento médico. Mas esse plano de intervenção junto a uma equipe multidisciplinar depende da necessidade de cada criança. Existe também o acompanhamento com psicopedagogas para auxiliar nas questões de aprendizagem acadêmica”, completa a psicóloga, que também dá exemplos para reduzir a ansiedade da criança. As informações são do jornal O Globo.
Fonte- Jornal O Sul
Foto- Reprodução



