Os primeiros sete meses de 2026 tiveram o registro de 8.237 chamados pelo 190 relacionados a violência doméstica. Somente nos 17 primeiros dias deste mês de agosto, o Centro de Operações Policiais Militares (Copom) recebeu 604 chamados. O atendimento de todas essas ocorrências mobilizou as equipes de Policiais Militares (PMs) tanto do policiamento ostensivo como da Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar e das Unidades Especializadas, como o Comando de Polícia de Choque (CPChq).
Uma segunda mobilização das equipes, dessa vez interna por meio do Sistema de Planejamento e Estatística da Instituição, analisa os dados gerados a partir dessas ocorrências, as quais envolvem os crimes de ameaça, de lesão corporal, de estupro, de descumprimento de Medida Protetiva de Urgência (MPU), de tentativa de feminicídio, de feminicídio e de vicaricídio. Com a finalidade de produzir o conhecimento que vai orientar as melhorias das estratégias de enfrentamento à violência doméstica e familiar, os PMs descobrem padrões. Por exemplo, os padrões temporais que evidenciam o turno de maior risco às vítimas, fazendo com que a Patrulha Maria da Penha da Brigada Militar direcionasse as fiscalizações e o patrulhamento de visibilidade para o turno das 18 horas às 23h50min. Outro padrão indica a necessidade dessa atuação de domingo à noite até segunda-feira de madrugada, já que esse tem se revelado o período da semana mais crítico.
Ao mesmo tempo, a presença da Brigada Militar em todos os municípios gaúchos e a sua integração com as redes de proteção locais, bem como com as delegacias especializadas, tem sido fundamental em face da dispersão dos casos de vítimas fatais que foram registrados em 36 municípios diferentes neste ano. Essa presença permanente tem garantido a proteção das vítimas de muitas formas.
Vítimas salvas
Passo Fundo é o município que ocupa a terceira posição em quantidade de Medidas Protetivas de Urgência (MPUs) deferidas pelo Poder Judiciário (517), somente atrás de Porto Alegre (2.425) e de Santa Maria (773). É também sede do CRPM Planalto que mobilizou o 38° Batalhão de Polícia Militar (38° BPM) e o 3° Regimento de Polícia Montada (3° RPMon) para o atendimento da ocorrência de tentativa de feminicídio em Soledade.
A ação integrada entre diversas equipes de Policiais Militares (PMs) resultou na prisão do autor, que é ex-companheiro da vítima, passados apenas 35 minutos desde o registro da ocorrência às 17h30min de segunda-feira (10/08). O oficial responsável pela ocorrência, Tenente PM Gilberto Vaz Pinto do 38° BPM, contou que a Brigada Militar recebeu a informação sobre o crime por meio de familiares que já estavam no hospital com a mulher, ferida por disparos de arma de fogo. “Uma equipe de PMs dirigiu-se ao hospital para obter dados e fotos que pudessem ajudar a encontrar o suspeito. Outra equipe foi ao local do crime, a residência da vítima, de onde o homem havia fugido, mas poderiam encontrar vestígios,” explicou o Tenente PM Gilberto. À medida que as informações eram encontradas, foram repassadas às equipes de PMs de toda a região abrangida pelo CRPM Planalto, de modo que por onde o suspeito passasse fosse identificado.
Desde o recebimento do chamado até a prisão do agressor foi pouco mais de meia hora. O Sargento PM Mesquita, do 3° Grupamento de Ernestina (3° RPMon), encontrava-se pronto para agir em um posto base montado na RS-153, quando foi informado por um colega da Inteligência do 38° BPM, que o veículo procurado estava sob acompanhamento. Bastou um quilômetro à frente para o agressor ser abordado, ter a identidade confirmada e admitir o cometimento do crime. “O homem foi preso e conduzido à Delegacia de Pronto Atendimento de Soledade, onde a ocorrência foi registrada como tentativa de feminicídio e tentativa de vicaricídio porque ele tentou atingir o enteado,” disse o Sargento PM Mesquita.
A arma utilizada para ferir a ex-companheira e o filho dela foi encontrada posteriormente por outra equipe de Soledade e, o agressor, continua no Presídio da cidade. A vítima deste caso, assim como a maioria das vítimas tanto de tentativa de feminicídio como de feminicídio, não havia registrado ocorrência contra o agressor nem requerido MPU.
Atualmente, 12.863 registros (mais de 98% dos casos) de MPUs decorrem de violências praticadas contra as mulheres. A soma dos agressores na condição de “ex” resulta no maior grupo, 6.809 homens. O total de agressores na condição de cônjuge, companheiro e namorado alcança 3.153 homens. Por fim, há 714 casos de filhos e 441 casos de irmãos agressores.
Texto e Foto: 38º BPM/Divulgação



