Teve início na manhã desta sexta-feira, 17/07, a audiência de instrução do processo que apura o duplo homicídio registrado em 25 de novembro de 2025, no calçadão de Soledade. Na ocasião, os jovens Thiago Machado de Queiroz, de 30 anos, e Patrick Rabuske de Queiroz, 29 anos, foram mortos a tiros em um crime que causou grande repercussão à época.
Antes do início da audiência, o juiz de Direito da Comarca de Soledade, José Pedro Guimarães, explicou as próximas etapas do processo. Segundo ele, esta primeira fase é destinada à produção de provas, começando pela oitiva das testemunhas arroladas pelo Ministério Público. Em uma segunda audiência, serão ouvidas as testemunhas de defesa e, posteriormente, ocorrerão os interrogatórios dos cinco acusados.
Ao todo, cerca de 20 testemunhas devem ser ouvidas durante a instrução processual. Conforme o magistrado, a expectativa é concluir essa etapa com a maior agilidade possível para decidir se os réus serão pronunciados, ou seja, encaminhados a julgamento pelo Tribunal do Júri. "O objetivo agora é reunir todos os elementos necessários para verificar se existem indícios suficientes para que os acusados sejam submetidos ao julgamento popular", explicou o juiz.
Caso a decisão de pronúncia seja proferida e não haja recursos, será marcada a sessão do Tribunal do Júri. Em razão da complexidade do caso, do número de réus e da quantidade de testemunhas, José Pedro Guimarães acredita que o julgamento poderá se estender por dois ou até três dias.
Cinco acusados respondem pelo crime
O processo tem cinco réus. Segundo o magistrado, dois deles são apontados como executores dos homicídios. Os outros três respondem por participação indireta, sendo acusados de terem facilitado a execução do crime ou, conforme sustenta a denúncia do Ministério Público, de terem participado da sua articulação. O juiz ressaltou, entretanto, que essas acusações ainda serão analisadas durante a instrução criminal. "Esses fatos precisam ser esclarecidos ao longo do processo. Somente após a análise das provas será possível verificar se há elementos suficientes para levar os acusados ao Tribunal do Júri, que é quem decidirá sobre a culpa ou inocência de cada um", afirmou.
Acusado é trazido de Charqueadas
Um dos réus, que está preso no complexo prisional de Charqueadas, foi conduzido a Soledade pela Polícia Penal para participar da audiência. Conforme explicou o magistrado, a presença do acusado é um direito garantido pela legislação, permitindo que acompanhe a produção das provas relacionadas ao processo.
Juiz destaca importância do devido processo legal
José Pedro Guimarães enfatizou que o procedimento segue rigorosamente o que determina o Código de Processo Penal e a Constituição Federal, assegurando o direito de defesa e o contraditório. "O devido processo legal exige que toda acusação seja comprovada. Cabe à acusação apresentar as provas e, da mesma forma, os réus têm o direito de exercer plenamente sua defesa. Somente após essa análise é que a Justiça poderá decidir pelo encaminhamento ao júri, onde os jurados definirão se os acusados são culpados ou inocentes", destacou.
A acusação é conduzida pelo promotor de Justiça Marcos Freza. A defesa dos réus é realizada pelos advogados Manoel Pedro Castanheira, Keila Bernardi, José Ricardo Pinto e pela defensora pública Thaís Umpierres.
A audiência de instrução deve se estender ao longo desta sexta-feira e representa uma das etapas mais importantes da ação penal, antecedendo a decisão sobre o encaminhamento, ou não, dos acusados ao Tribunal do Júri.
Texto: Glauber Silveira/Jornal A Notícia I Portal Se Liga Aí
Fotos: Jacques Moraes/Jornal A Notícia I Portal Se Liga Aí



