Defensor do agronegócio, o deputado estadual Clair Kuhn (MDB) criticou a determinação da Secretaria de Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia às instituições financeiras de suspenderem novas contratações de crédito rural subsidiadas durante o mês de fevereiro. A justificativa é que não existem mais recursos no orçamento da União para bancar novas operações.
Segundo os bancos, dos R$ 7,8 bilhões aprovados pelo Congresso no Orçamento de 2022 para despesas de equalização de taxas de juros no Plano Safra, 99% já foram usados. O motivo apontado é a falta de atualização da Selic, a taxa básica de juros, na peça orçamentária. Hoje em 10,75%, o índice sofre alta forte e rápida, o que exigiu maior liberação de recursos do que a esperada para compensar as taxas mais baixas praticadas no contexto do Plano Safra - de 4,5% no caso do Pronaf e de 6% do Pronamp.
"Temos que pegar firme, independente de partido, porque é uma questão que irá prejudicar os nossos agricultores imensamente. Aliás, isso vai terminar com os pequenos produtores, que não conseguirão plantar mais", alertou Clair, que é titular da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa.
Além disso, o parlamentar avalia que este é o pior momento para a medida, já que o Estado enfrenta uma das estiagens mais severas da história. "Vão retirar recursos justamente quando o agricultor mais precisa, quando está perdendo as suas lavouras e os seus animais, sem condições de alimentar a sua família e muitas vezes não tem nem água disponível na sua casa por causa da seca. É desumano fazer o corte de recursos neste momento", critica.
O deputado quer o apoio da Bancada Gaúcha no Congresso para reverter a situação. "Vamos juntos aos órgãos federais para que seja revista essa decisão não apenas para que o nosso homem e nossa mulher do campo tenham direito ao crédito, mas também consigam crédito subsidiado", completou.



